
Como a escolha e aplicação corretas evitam falhas em telhados e estruturas metálicas
Introdução: o “detalhe invisível” que define a durabilidade
1. O papel do selante nas estruturas metálicas
Essas funções parecem simples, mas exigem que o produto escolhido seja compatível com o substrato (metal, galvalume, alumínio, aço galvanizado), com a dilatação térmica esperada e com o regime de exposição solar e química do ambiente.
Um erro comum é aplicar selantes genéricos, pensados para uso civil, em sistemas metálicos de alta movimentação ou exposição. Essa incompatibilidade leva à ruptura precoce, fissuras e infiltrações.
2. Tipos de selantes mais usados em coberturas metálicas
2.1 Poliuretano (PU)
Boa aderência em metais, concreto e madeira.
Alta resistência mecânica e flexibilidade.
- Contudo, baixa resistência a UV, podendo amarelar e perder elasticidade.👉 Indicado para áreas internas, juntas de fixação sob telhas ou onde há cobertura contra radiação direta.
2.2 MS Polymer (Modified Silane)
Combina características do PU com resistência a UV e intempéries.
Excelente aderência sem primer em diversos substratos.
- Cura sem solventes, ideal para obras limpas.👉 É o mais versátil para coberturas metálicas expostas, vedando rufos, cumeeiras e junções com alvenaria.
2.3 Silicone neutro
Resistência térmica e química elevada.
Não sofre ataque por raios UV.
- Porém, possui aderência limitada em metais galvanizados e baixa repintabilidade.👉 Indicado para vedações entre vidros, policarbonato ou junções metálicas sem pintura posterior.
2.4 Butílico
Base solvente, com excelente adesão inicial e flexibilidade a frio.
Não tem resistência a UVa e UVb, não pode ficar exposto.
- Mantém vedação permanente em sobreposições de telhas.👉 Muito usado em fitas selantes aplicadas sob telhas e cumeeiras.
Cada tipo de selante tem um “território técnico” específico, e aplicar fora dele é receita para patologias.
3. Patologias mais comuns associadas a falhas dos selantes
As patologias em coberturas metálicas frequentemente se originam em detalhes executivos:
Fissuração do selante devido à movimentação térmica superior à sua capacidade de alongamento.
Perda de aderência por contaminação da superfície (óleo, pó de zinco, ferrugem, sugidades).
Bolhas internas formadas por aprisionamento de umidade, aplicação sobre substrato quente, selantes com solvente .
Degradação por UV em produtos sem aditivos adequados ou destinado a local diferente do indicado.
4. Compatibilidade e preparo do substrato: o fator esquecido
Antes de aplicar o selante, o substrato deve estar:
Limpo, seco e livre de pó, óleo e ferrugem;
Tratado com primer, se indicado pelo fabricante;
Livre de tensões mecânicas que impeçam o movimento natural da junta.
5. Boas práticas de aplicação em telhados e estruturas metálicas
Escolher o tipo certo: compatível com substrato e exposição.
Controlar a geometria da junta: largura e profundidade proporcionais (relação 1:1 até 10mm e 2:1 acima de 10mm de vão).
Espessura mínima de trabalho: espessura mínima que o selante precisa para desempenhar a durabilidade prometida (5mm).
Usar fundo de junta (cordão de polietileno): evita aderência em três pontos e reduz tensão.
Aplicar em temperatura e umidade adequadas: conforme ficha técnica.
Respeitar o tempo de cura total antes de pintura ou montagem de outros elementos.
A aplicação correta é tanto técnica quanto procedimental - exige inspeção, treinamento e responsabilidade.
6. Selantes e manutenção preventiva
Selantes não têm vida útil infinita. Mesmo os produtos premium precisam de inspeção periódica, especialmente em:
Juntas expostas à insolação direta;
Regiões com grande amplitude térmica;
Locais sujeitos à vibração ou deformação constante.
7. Normas e recomendações técnicas
Para referência técnica, as principais normas que envolvem selantes e vedações incluem:
ABNT NBR 15892: Selantes para construção civil - Requisitos e métodos de ensaio.
ABNT NBR 15575: Desempenho de edificações habitacionais (vedações).
ASTM C920: Standard Specification for Elastomeric Joint Sealants.
ASTM C1193: Guide for Use of Joint Sealants.
Seguir as diretrizes dessas normas assegura desempenho, compatibilidade e durabilidade conforme especificação técnica.
Conclusão: o elo invisível da durabilidade
Na Nomos, entendemos que selar é mais sobre preparar do que aplicar e que cada detalhe técnico, por menor que pareça, tem impacto direto no resultado final.
Próximo artigo:
“Selantes e Patologias em Pré-Moldados: desafios da aderência e dilatação térmica na construção civil.”Nele, vamos explorar como o comportamento dos selantes muda ao lidar com concreto pré-moldado, juntas de dilatação e sistemas mistos de fixação.

